Durante seus mais de 30 anos de trabalho, a Defensora Pública Maria da Glória Schilling de Almeida pôde vivenciar a evolução da Defensoria Pública no Rio Grande do Sul.

A Defensora começou sua história quando prestou o concurso público para Assistente Judiciário. Exerceu a profissão durante anos, até a Defensoria Pública ser instalada no Rio Grande do Sul, no ano de 1994.

Em junho do mesmo ano, foi empossada a primeira Defensora Pública-Geral do Estado, Cleomir Oliveira Carrão, permanecendo seis meses no cargo. Em janeiro de 1995, Maria da Glória Schilling de Almeida assumiu como DPG até dezembro de 1998, quando foi substituída por Carlos Frederico Barcellos Guazelli. Na época, Defensor Público-Geral não era uma função independente: o cargo era intitulado Secretário do Estado, fazendo com que os nomeados permanecessem durante quatro anos.

Ela conta que, no início, tudo foi muito difícil: “A Defensoria não tinha nada. usávamos computadores alugados, porque não tínhamos como comprar. Mas fomos avançando ao longo do tempo”, salienta.

Uma das maiores conquistas de sua gestão foi o aumento do número de Comarcas com Defensores Públicos no Rio Grande do Sul - situação que preocupa a Defensoria até hoje. Atualmente, o estado possui 11 Comarcas sem atendimento de Defensores Públicos e 29 que atendem por deslocamento.

“Conseguimos distribuir Defensores pelos Foros Regionais e pelo interior, criamos o deslocamento de Comarcas, que é utilizado até hoje - o que não pode ser considerada uma coisa boa, mas é uma forma de prestar mais assistência. Os Defensores faziam o possível para poder ampliar esse atendimento”, afirma Maria da Glória.

Em 1996, a Defensora foi convidada para atuar na Corregedoria-Geral da Defensoria Pública do Estado, permanecendo lá até 1998. Ela conta que sua atuação era muito diferente da Defensoria Pública-Geral. “Sempre quis passar a ideia da Corregedoria não ser um órgão fiscalizador, mas sim de colaboração com os defensores, prestando orientações sobre sua atuação”, salienta.

Desde 2000, Maria da Glória atua no Tribunal de Justiça, sendo titular das 4ª, 5ª e 6ª Câmaras Cíveis. No começo, não havia Defensores atuando nas Câmaras. “Da primeira vez que fui na 4ª Câmara, me disseram que lá não havia nada para a Defensoria. Eu disse que eu estava começando e que gostaria de deixar registrado que qualquer processo que tivesse assistência jurídica de pessoa hipossuficiente, nós já teríamos um Defensor lá dentro. Atualmente, a 4ª Câmara é a que mais tem Defensores Públicos”, completa.

Um dos fatores que levam a Defensora a continuar atuando mesmo depois de 30 anos de serviço é a constante transformação que a carreira proporciona: “Até hoje, com toda minha experiência, trabalho com processos que são novidade para mim e tenho que estudar para poder atuar. Sempre tem coisas novas, e com o Novo Código de Processo Civil, tudo se modificou. O interessante da nossa profissão é isto: sempre tem coisas novas”, finaliza.

23 de Outubro de 2018